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Servidores Públicos

Servidora comissionada gestante tem direito à estabilidade?

A servidora comissionada gestante tem direito à estabilidade provisória e à licença-maternidade, conforme a legislação. Veja mais detalhes.

Por Agnaldo Bastos · atualizado em 5 min de leitura
Conforme a legislação, a servidora comissionada gestante tem direito à estabilidade provisória e à licença-maternidade. Veja mais detalhes.
Conforme a legislação, a servidora comissionada gestante tem direito à estabilidade provisória e à licença-maternidade. Veja mais detalhes.
Neste artigo6 tópicos
  1. Sou comissionada e estou grávida: e agora?
  2. Qual o prazo da estabilidade da servidora comissionada gestante?
  3. Como funciona a licença-maternidade para a servidora comissionada?
  4. Servidora comissionada gestante: o que fazer após ser exonerada antes da estabilidade?
  5. Quais as hipóteses que a empregada gestante pode ser dispensada?
  6. Conclusão

Saber que a servidora comissionada gestante tem direito à estabilidade provisória e à licença-maternidade é essencial. Esses direitos garantem a proteção das gestantes durante toda a gravidez e após o parto.

Neste artigo, vou detalhar esses direitos e como eles funcionam na prática, proporcionando a segurança necessária para você e seu filho.

Sou comissionada e estou grávida: e agora?

Conforme a legislação e decisões judiciais, a servidora comissionada gestante tem direito à estabilidade provisória e à licença-maternidade.

Essa dúvida existe porque a estabilidade do servidor é uma diferença importante entre cargos comissionados e cargos efetivos, conforme previsto na Constituição.

Então, enquanto os servidores efetivos adquirem estabilidade após três anos de estágio probatório, os servidores comissionados nunca terão direito à estabilidade.

Mesmo assim, os servidores comissionados também estão sujeitos à Lei n.º 8.112/1990, que assegura direitos aos servidores efetivos.

Além disso, a proteção à maternidade é garantida pelo artigo 6º da Constituição Federal em conjunto com outros direitos essenciais à vida.

Ainda, o direito à licença-maternidade, previsto no artigo 7º da Constituição Federal, também é aplicável aos servidores públicos.

Portanto, todas essas proteções constitucionais, como proteção à maternidade e direito à vida, também se aplicam às servidoras em cargos comissionados, gerando sua estabilidade provisória.

Qual o prazo da estabilidade da servidora comissionada gestante?

A estabilidade da servidora comissionada gestante é garantida desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto ou após a adoção.

Esse direito está previsto na Constituição Federal e visa proporcionar segurança e proteção à gestante durante e após a gestação ou na adoção.

Assim, mesmo ocupando um cargo de livre nomeação e exoneração, a servidora comissionada tem direito à estabilidade provisória, assegurando que ela não possa ser exonerada arbitrariamente durante esse período.

Além de ser um direito, esse prazo é essencial para a gestante se dedicar aos cuidados necessários tanto para a sua saúde quanto para o bebê, sem o temor de perder o emprego.

Como funciona a licença-maternidade para a servidora comissionada?

As regras da licença-maternidade para a servidora comissionada são as mesmas aplicadas às servidoras públicas efetivas, em razão do princípio da igualdade entre elas.

Dessa forma, a duração da licença-maternidade para a servidora comissionada é de 120 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias, totalizando 180 dias de licença.

Esse prazo começa a ser contado a partir do 9º mês, ou a partir do parto prematuro, ou a partir do momento em que o bebê recebe alta da UTI, se for o caso.

No caso de licença-maternidade por adoção, o prazo da licença-maternidade da servidora comissionada começa a partir da adoção ou, ainda, após obter a guarda judicial para fins de adoção.

Assim, durante todo o período antecedente à licença-maternidade, a servidora comissionada possui estabilidade provisória. Portanto, ela não pode ser exonerada sem justa causa.

Servidora comissionada gestante: o que fazer após ser exonerada antes da estabilidade?

Caso você seja exonerada sem ter finalizado o prazo da estabilidade provisória, o primeiro é juntar exames que comprovem a gravidez anterior à exoneração ou, ainda, documentos demonstrando os trâmites para adoção.

Com isso, leve esses documentos ao setor de recursos humanos vinculado ao órgão em que você estava alocada e solicite a sua reintegração voluntária.

Entretanto, se mesmo assim você não for imediatamente reintegrada às suas funções, é importante buscar auxílio de um advogado especialista em servidores públicos.

Nesse momento, é importante que você não tenha medo, porque esse é um direito constitucional e você deve ter seus direitos assegurados. 

Inclusive, o STF já julgou de modo positivo inúmeras ações semelhantes.

Quais as hipóteses que a empregada gestante pode ser dispensada?

Conforme comentei, a legislação brasileira oferece proteção à servidora comissionada gestante, garantindo sua estabilidade provisória no emprego.

No entanto, existem circunstâncias específicas em que a exoneração pode ocorrer!

Porém, a servidora comissionada gestante pode ser dispensada apenas por justa causa, devendo ser baseada em faltas graves cometidas durante o período de estabilidade provisória.

As hipóteses de justa causa incluem:

  • Abandono de emprego: quando a servidora não comparece ao trabalho por um período prolongado e sem justificativa;
  • Ato de improbidade: os atos de improbidade administrativa envolvem ações desonestas ou fraudulentas contra a administração pública;
  • Incontinência de conduta ou mau procedimento: comportamentos inapropriados ou violações das normas da administração pública;
  • Desídia no desempenho das funções: negligência ou preguiça persistente no cumprimento das tarefas;
  • Violação de segredo da administração pública: divulgação de informações confidenciais;
  • Embriaguez habitual ou em serviço: consumo frequente de álcool ou drogas, especialmente durante o expediente;
  • Indisciplina ou insubordinação: desrespeito às normas da administração pública ou recusa de seguir ordens superiores;
  • Ofensa física: agressões contra colegas ou superiores no ambiente de trabalho;
  • Ato de violência moral ou sexual: assédio ou agressões verbais e comportamentais contra colegas.

Mesmo nos casos de justa causa, é essencial que a administração pública conduza um processo administrativo disciplinar adequado, assegurando o direito ao contraditório e à ampla defesa da servidora comissionada.

Essas medidas garantem que a demissão seja justa e devidamente fundamentada, protegendo tanto os direitos da gestante quanto os interesses da administração pública.

Conclusão

A estabilidade provisória e a licença-maternidade são direitos essenciais para as servidoras comissionadas gestantes, garantidos pela legislação brasileira.

Esses direitos visam proteger a gestante contra a dispensa arbitrária e assegurar um ambiente de trabalho seguro e justo durante e após a gravidez.

No entanto, se você está enfrentando alguma situação de violação desses direitos, é fundamental buscar orientação e apoio jurídico especializado.

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Quem escreve

Agnaldo Bastos

Advogado inscrito na OAB/GO sob o nº 44.647, atuante no Direito Público, especialista em causas envolvendo concursos públicos e servidores públicos, presidente e CEO do escritório Agnaldo Bastos Advocacia Especializada.

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