Reprovação no teste psicotécnico dos concursos: descubra como reverter

A reprovação no teste psicotécnico é uma situação desafiadora e impactante que muitos candidatos enfrentam ao buscar aprovação em concursos públicos.

O teste psicotécnico visa avaliar a adequação do perfil psicológico do candidato às exigências do cargo almejado. Infelizmente, não é raro que candidatos a cargos públicos sejam reprovados.

Por isso, entender as causas dessa reprovação pode ser o primeiro passo para tentar reverter esse resultado negativo ou, ainda, superá-las em uma nova tentativa.

Neste artigo, vou comentar sobre as principais razões que levam à reprovação no teste, desde psicopatologias e problemas comportamentais até a falta de preparo emocional e desconhecimento sobre o perfil do cargo.

Além disso, você vai conhecer as medidas que podem ser tomadas caso você seja reprovado, incluindo o recurso administrativo e ações judiciais. Acompanhe.

Principais causas de reprovação no teste psicotécnico dos concursos públicos

A eliminação após a reprovação no exame psicotécnico em concursos públicos pode ocorrer por uma variedade de razões.

É importante ressaltar que não se trata apenas de “passar” ou “não passar”, mas, sim, de uma avaliação da compatibilidade entre o perfil psicológico do candidato e as demandas do cargo em questão. 

Algumas das principais causas de reprovação incluem:

  • psicopatologias, vícios (álcool, drogas, jogos etc.);
  • heteroagressividade exacerbada;
  • agressividade autodirigida;
  • fanatismo religioso;
  • fanatismo ideológico;
  • emotividade acentuada;
  • impulsividade exacerbada;
  • estrutura frágil de personalidade/sensibilidade acentuada.

No entanto, há outras condições que podem eliminar os candidatos no teste psicotécnico, como:

1. Falta de preparo emocional

Muitos candidatos subestimam a importância do preparo emocional para o exame psicotécnico. 

A ansiedade excessiva ou a falta de controle emocional podem impactar negativamente o desempenho do candidato.

2. Desconhecimento do perfil do cargo

Cada cargo público possui exigências específicas em termos de habilidades cognitivas e emocionais. 

Sendo assim, candidatos que não compreendem completamente essas exigências podem não se preparar adequadamente para o exame.

3. Falta de familiaridade com o teste

Os testes psicotécnicos, muitas vezes, têm formatos únicos e podem apresentar desafios inesperados. 

A falta de familiaridade com esse tipo de teste pode levar a erros e à obtenção de resultados abaixo do esperado.

Fale agora com um especialista sobre seu caso.

Reprovado no psicotécnico do concurso público: entenda o que fazer

Receber a notícia de reprovação no exame psicotécnico pode ser frustrante, mas é importante lembrar que isso não é o fim do caminho. Você tem direitos e opções que podem ser explorados nessa situação.

No caso de reprovação no teste psicotécnico do concurso, é possível entrar com recurso administrativo, caso você não concorde com o resultado dele.

Inclusive, pode contar com o apoio de um especialista na área psíquica, como um psicólogo, para rever as provas e laudos.

Se houver indícios de que houve falhas na análise do teste do candidato, como a falta de fundamentos e critérios para tal avaliação, por exemplo, é possível recorrer à justiça a partir de uma ação judicial.

Isso porque apenas dizer que o candidato possui descontrole emocional e não apresentar as devidas características identificadas que, de fato, podem ser prejudiciais ao cargo, não justifica a sua eliminação.

O participante do concurso tem o direito de saber o que levou a sua reprovação de forma detalhada.

Enquanto a banca examinadora tem o dever de demonstrar as razões que tornam as condições psíquicas do candidato incompatíveis com as funções do cargo e que, por consequência, o impossibilita de ser nomeado ou tomar posse.

Como identificar as ilegalidades no exame psicotécnico dos concursos?

Os nossos tribunais já têm entendimentos firmes em relação a esse tema e traçaram algumas diretrizes para identificar se o teste psicotécnico é ilegal ou não.

São três circunstâncias que você deve observar, conforme o entendimento do STF: 

  • o exame psicotécnico deve estar previsto em lei;
  • deve ser pautado em critérios objetivos;
  • deve possibilitar que o candidato recorra do resultado.

Exame psicotécnico deve estar previsto em lei

A primeira das circunstâncias é a mais básica e simples de se analisar. Se a lei que criou o cargo não determina expressamente a realização de exame psicotécnico durante o concurso público, o edital do concurso não poderá trazer essa fase.

Veja este exemplo de ilegalidade no certame:

Em um determinado edital para ingresso em cargo público de carreira policial, em nenhum momento, foram apresentados os critérios objetivos e científicos que serão considerados na execução do exame.

Também não expôs o que será analisado, não especificou como será verificado o perfil do candidato e não estabeleceu quais os parâmetros de análise.

Logo, percebe-se que não está havendo objetividade e cientificidade na avaliação do candidato.

Por isso, há ilegalidade neste critério de avaliação, assim, o edital ou o ato que gerou a eliminação de determinado candidato pode ser revisto pelo Poder Judiciário. 

Critérios objetivos na avaliação

A decisão que declara a reprovação do candidato no psicotécnico deve ser devidamente motivada. A banca não pode se valer de justificativas abstratas, rasas, dotadas de muito subjetivismo.

Por exemplo: é muito comum que os candidatos sejam eliminados sob a justificativa de que o teste apontou desequilíbrio, impulsividade, baixa memorização etc.

Decisões dessa natureza são muito vagas e devem ser contestadas!

Nesses casos, a banca deve explicar objetivamente por que você foi considerado inapto para o cargo, relacionando os resultados do teste com as habilidades exigidas para a função. 

Essa correlação deve sempre se pautar em estudos e métodos científicos. Se essa regra for desrespeitada, pode haver a nulidade dos atos sem motivação.

No mais, o modo de avaliação de cada etapa do teste psicológico deve estar previsto no edital. Ele deve trazer a quantidade de questões, o peso de cada uma delas, etc.

Possibilidade de recursos

Por fim, a terceira circunstância é a possibilidade de recorrer, pois deve estar prevista no edital. Deve-se garantir a ampla defesa e o contraditório aos candidatos, permitindo que possam interpor recursos nos prazos estabelecidos no edital.

Fale agora com um especialista sobre seu caso.

Como entrar com recurso após reprovação no teste psicotécnico dos concursos?

Receber a notícia da reprovação no teste psicotécnico pode ser desanimador, mas é importante lembrar que existem medidas jurídicas que permitem contestar esse resultado.

Para isso, aqui estão os passos que você pode seguir para preparar e entrar com um recurso administrativo:

1. Analise o resultado e a fundamentação da reprovação

De início, é importante obter uma cópia desse laudo psicotécnico, pois nesse documento deve ter as razões detalhadas da sua reprovação.

Com isso, analise esse documento cuidadosamente para entender os argumentos utilizados pela banca examinadora.

2. Consulte um especialista

Considerando que o teste psicotécnico avalia aspectos psicológicos, é aconselhável consultar um psicólogo ou um profissional especializado em psicologia do trabalho.

Isso porque esses especialistas podem oferecer uma segunda opinião sobre o laudo e ajudar a identificar pontos que podem ser contestados.

3. Prepare o recurso administrativo

O recurso administrativo deve ser redigido de forma clara e objetiva, apresentando todos os argumentos que justifiquem a revisão da sua reprovação.

É importante que você aponte qualquer inconsistência ou erro que possa ter ocorrido durante a avaliação. Inclua também a opinião do especialista, se houver, como um laudo complementar.

4. Submeta o recurso dentro do prazo

Verifique no edital do concurso o prazo para a submissão de recursos e se certifique de enviar o seu dentro deste período.

Em regra, o recurso é enviado apenas pelo site da banca organizadora, conforme especificado no edital, então é importante se antecipar, pois o site pode ficar sobrecarregado.

5. Acompanhe o processo

Após submeter o recurso, é crucial acompanhar o andamento do processo pelo site da banca.

Nesse caso, existe no cronograma uma data para serem divulgados os resultados dos recursos.

Assim, o resultado deve ser específico, completo, contendo todas as questões que você contestou no laudo.

6. Considerações finais sobre o recurso

Se o recurso administrativo sobre a avaliação psicológica do concurso for negado e você ainda sentir que a decisão foi injusta, ainda é possível ingressar com uma ação judicial.

Neste caso, a consultoria de um advogado especializado em concursos se torna essencial para avaliar a viabilidade e os próximos passos na Justiça.

Lembre-se: cada caso é único e o sucesso de um recurso pode variar dependendo das circunstâncias específicas e das provas apresentadas. Portanto, é fundamental estar bem preparado e contar com o suporte adequado.

Fale agora com um especialista sobre seu caso.

Conclusão

Enfrentar a reprovação no exame psicológico de um concurso público não significa o fim dos seus objetivos profissionais.

Nesse caso, é importante entender as razões específicas por trás da sua não aprovação, sejam elas relacionadas a características pessoais que não se alinham com o perfil do cargo, falta de preparo emocional ou, até mesmo, falhas na avaliação.

Além disso, é importante estar ciente de seus direitos e das possibilidades de recurso, seja administrativo ou, se necessário, em ação judicial, especialmente se identificar qualquer ilegalidade na condução do exame psicotécnico.

Para isso, consulte um advogado especialista em concursos para defender os seus direitos no concurso público.

Agnaldo Bastos
Agnaldo Bastos

Advogado especialista em ajudar candidatos de concursos públicos que sofrem injustiças e, também, servidores públicos perante atos ilegais praticados pela Administração Pública, atuando em Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e em Ações de Ato de Improbidade Administrativa.

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